Wednesday, December 2, 2009

Masseração por amor

Fiquei enamorada ao ver-te nesses mantos vermelhos que faziam a tua cama e nesses teus olhos meios rasgados de alfacinha. Imaginei-me nas noites que passei enrolada no teu corpo e nos teus lábios a percorrerem o meu. Tive arrepios na pele ao imaginar-me a beijar-me a tua boca e a sentir a tua respiração profundo. Eu queria até tudo contigo assim me disseste um dia. E eu sei que querias, porque pela primeira vez disseste que amavas. E eu sabia que amavas fundo. Mas o compasso não deixou o timming era impossivel e o amor foi crucificado. Entao veio a tormenta e as lagrimas e os potes de água turva. E tudo acabou num derrame sangrento de odor a carne podrida. Mas lá no fundo a ultima porta está aberta e deixa aquela luz de paraiso entrar. E eu prometo pôr o pé para não fechar. E ficarei ali massacrando-me diariamente mesmo que o meu pé fique roxo de tanto aguentar, mas no fim serei eu a ultima a entrar.

Adeus com espera de retoma

Eu digo adeus diario com espera de retoma
E padeço do sintoma da perca final

Eu digo adeus diario com desejo de retorno
E subtilmente inundo a minha dor com o pavor

Eu digo a deus, diario, que não te quero perder
E a diario ele me desvela que só assim pode ser

Eu digo adeus diario chorando lagrimas de sangre
E com um lenço branco as tento limpar

Eu digo a deus, diario, que o fado é injusto
E numa nuvem deixa-me ver a realidade

Eu digo adeus diario em tom de suicidio
E num momento me encontro no limbo

Eu digo adeus diario cheriando a morte
E vivo o dia a dia morrendo lentamente.

Efeito furacão.

Há coisas que permanecem, que engrandecem, que brotam, que suspiram, que amolecem, que pacificação, que florescem.

Há coisas que permanecem, que doiem, que massacram, que destroiem, que rasgam, que dilaceram, que coroiem, que suicidão.

Há coisas que permanecem mesmo depois do Furacão passar.

Caminhos que se separam

Tu supraste-me ao ouvido o nome dela
Eu disse num roido – sai pela janela

Tu dissete-me baixinho que foi de passagem
Eu perguntei-te da alma como tiveste coragem

Tu susurraste em tom de paz o teu amor por mim
Eu gritei em tom de guerra um deixa-me rir

Tu tinhas em ti a tua alma aberta
Eu agressivamente expulsei um cerra a ultima porta

E assim sem mais nada
Nem destino
Nem odio
Nem paz
Nem nada
Fomos cada um caminhando o seu caminho.

Meu olhar em ti

Tenho cada parte do teu corpo traçada com o meu. Cada goticula do suor que desprendeste empragnando na minha pele. Sinto o teu semén a precorrer-me o corpo. Possuo os pingo da tua saliva nos meus lábios. Enrolado no meu cabelo encontro a tua barba. Dentro da minha Iris estão gravados os teus olhos. Guardo o toque soave da tua arma no meu clitóris. Arrepia-me o meu olhar em ti.

Thursday, April 9, 2009

gracias maxi

Soy tu esquina despoblada y un puñado de segundos

y la mágica agonía del que muere sin nacer.

Soy el vientre que decora ese paso trotamundo.

Soy el río más profundo pero aún nadar no sé.


Soy la furia del planeta que en su piel aloja sangre

y la pausa indefinida del reloj de lo incoherente.

Soy la causa esperanzada, antonimia del cobarde.

Soy la eterna reverencia al calor de lo presente.


Soy la ciénaga del viento que levanta tu pollera

y el sombrío abecedario de las gárgaras del miedo.

Soy la luz del desamparo y tu sombra, si pudiera.

Soy vector de tu pasado, sacerdote de tu credo.


Soy la cárcel de tus besos en el llanto y su memoria

y la pálida inconsciencia del orgullo de creer.

Soy la ruina necesaria del torrente de la historia.

Soy tu eterno fatalismo, la ceniza al renacer.


Soy el tiempo derrotado y la lucha mercenaria

y el teorema que no entiendes, negación del preceder.

Soy la lluvia veraniega, traducción de mis plegarias.

Soy la nada de tu estanque, tu ambición quisiera ser…

Sunday, February 15, 2009

As velhas putas do café de estudantes


Eram velhas!!!...Sim… eram velhas…
Eram velhas peças de museu…
Eram velhas peças de museu quebradas…
Sim… Eram verdadeiramente velhas…

Tinham rugas!!!... Não… Eram rugas…
Eram rugas inteiras… Nem um pedaço de carne escapava.
Eram rugas com dor.
Eram rugas de suor.
Eram rugas de horror.
Eram rugas de desamor.
Eram rugas!!!... Sim todas elas eram rugas.

Eram peitos… Eram peitos tombados,
Desencostados.
Pisados.
Maçados.
Esmurrados.
Espapaçados.
Moídos.
Eram peitos simplesmente Inconsolados.

Eram tempo… Sim… Eram tempo…
Eram horas nulas…
Eram horas ensolaradas…
Eram horas molhadas…
Eram horas exaustas…
Eram tempo…

Eram amor…Não… Eram desamor.
Sim, eram amor. Amor…
Dos desmados.
Dos maltratados.
Dos velhos.
Dos varridos.
Dos excluídos.
Dos rejeitados.
Dos banalizados.

Eram as velhas putas do café de estudantes

Sunday, February 8, 2009


Sou gaivota azul em verde céu.

Céu feito de cores vivas bem misturadas.

Sou gaivota azul em verde céu.

Céu feito de cores vivas bem ameaçadas.


Crack…sou gaivota azul em verde céu

E tu olhas cá de baixo, dizendo adeus,

Deixando-me voar, mas eu não quero

Tenho as asas presas a terra.


Sou gaivota azul em verde céu;

Crack…

E do não querer, vomíto, rebolo pelo chão,

Ergo a cabeça... E contínuo.


Sou gaivota azul em verde céu

Crack…

E anseio o prazer do teu corpo,

Os teus beijos de verde goma,

O teu cheiro de prado de alfazema.


Sou gaivota azul em verde céu.

E continuo a voar…

E do alto vejo a terra

E crack… Prendo as minhas asas de novo ao chão.


Sou gaivota azul em verde céu.

Verde da esperança inútil, mas da esperança.

Verde de ti e de mim e das viagens em vermelho.

E ergo a cabeça... E continuo...

Não olho para baixo… E continuo…

E tu deixas-me voar…

Mas marco caminho com migalhas,

A cada bater de asas.

Crack…

Com fé de outro pássaro não as apanhar.


Sou gaivota azul e verde céu.

Crack, crack…

Ansiando pelo final do caminho,

E crack… prender as minhas asas de novo ao chão.