Sunday, February 15, 2009

As velhas putas do café de estudantes


Eram velhas!!!...Sim… eram velhas…
Eram velhas peças de museu…
Eram velhas peças de museu quebradas…
Sim… Eram verdadeiramente velhas…

Tinham rugas!!!... Não… Eram rugas…
Eram rugas inteiras… Nem um pedaço de carne escapava.
Eram rugas com dor.
Eram rugas de suor.
Eram rugas de horror.
Eram rugas de desamor.
Eram rugas!!!... Sim todas elas eram rugas.

Eram peitos… Eram peitos tombados,
Desencostados.
Pisados.
Maçados.
Esmurrados.
Espapaçados.
Moídos.
Eram peitos simplesmente Inconsolados.

Eram tempo… Sim… Eram tempo…
Eram horas nulas…
Eram horas ensolaradas…
Eram horas molhadas…
Eram horas exaustas…
Eram tempo…

Eram amor…Não… Eram desamor.
Sim, eram amor. Amor…
Dos desmados.
Dos maltratados.
Dos velhos.
Dos varridos.
Dos excluídos.
Dos rejeitados.
Dos banalizados.

Eram as velhas putas do café de estudantes

Sunday, February 8, 2009


Sou gaivota azul em verde céu.

Céu feito de cores vivas bem misturadas.

Sou gaivota azul em verde céu.

Céu feito de cores vivas bem ameaçadas.


Crack…sou gaivota azul em verde céu

E tu olhas cá de baixo, dizendo adeus,

Deixando-me voar, mas eu não quero

Tenho as asas presas a terra.


Sou gaivota azul em verde céu;

Crack…

E do não querer, vomíto, rebolo pelo chão,

Ergo a cabeça... E contínuo.


Sou gaivota azul em verde céu

Crack…

E anseio o prazer do teu corpo,

Os teus beijos de verde goma,

O teu cheiro de prado de alfazema.


Sou gaivota azul em verde céu.

E continuo a voar…

E do alto vejo a terra

E crack… Prendo as minhas asas de novo ao chão.


Sou gaivota azul em verde céu.

Verde da esperança inútil, mas da esperança.

Verde de ti e de mim e das viagens em vermelho.

E ergo a cabeça... E continuo...

Não olho para baixo… E continuo…

E tu deixas-me voar…

Mas marco caminho com migalhas,

A cada bater de asas.

Crack…

Com fé de outro pássaro não as apanhar.


Sou gaivota azul e verde céu.

Crack, crack…

Ansiando pelo final do caminho,

E crack… prender as minhas asas de novo ao chão.